segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Adeus você


Fechado já a algum tempo, mas agora fecho oficialmente o cadeado.
Os arquivos permanecem, então tudo em seu devido lugar! (:

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Peristaltismo

O ritmo do dia-a-dia engole. Te engole, me engole, não tem dó. Deglute simplesmente, às vezes mastiga e mói em mínimos pedaços antes de deixar descer pela garganta. Engole. Poucos são os que conseguem fugir das mandíbulas deste gigante meio-monstro. Pouquíssimos são os que conseguem fugir de seu ventre, estes sim são raríssimos! Uma vez lá dentro e pronto, parecem esquecer o caminho de volta ou como é (melhor) ficar de fora. Eu, que me julguei muito diferente, caí em sua boca como os outros. Agora me pego no meio deles, tão comum.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Nu e Cru

O Ensino Médio é um mundo à parte. É um mundo especial, feito do tamanho e jeito certos para adolescentes. É o casulo, entramos lagartos e saímos borboleta. Ou quase isso.
Entrei no 1º ano como uma pré-adolescente chata, muito chata, e influenciável, extremamente influenciável. No 2º ano eu era só abraços e sorrisos. Já no 3º eu sou saudade, nostalgia, mas com certeza sou uma soma de tudo que aprendi nesses últimos dois anos. Nunca aprendi tanto em tão pouco tempo, nunca mudei tanto, melhorei tanto. Sou grata. Mais do que grata.
Meu mundo paralelo é o Colégio Classe, aquele lugar estranho onde só se vê homem dando aula (com exceção da Senhora Mãe Majadas que entrou este ano), onde o forte é Humanas, onde "estão formando mais que vestibulandos, estão formando seres humanos". Talvez nem eles saibam como essa frase é verdadeira, talvez pensem só que é uma boa frase pra chamar mais alunos ou agradar a pais, mas eu sei o quão verdadeira é.
O Classe não é um colégio qualquer com plantão de dúvida de tarde, professores de manhã e uma coordenação bem organizada. Aquilo lá é inexplicável, não sei como, mas me faltam palavras. Me diga qual colégio oferece aula de Teatro/Cinema/Fotografia? Aula de Mídia? Aula para "Novos Escritores"? Jornal da escola com matérias inteligentes sobre temas atuais (ou não) e música boa? Aula com professor de Filosofia em que lêem e estudam clássicos literários? Escolas que ajudam creches? Escolas que levam os alunos para vêem a realidade fora desse mundinho de conforto em que nós vivemos? Que escola tem tudo o que é necessário e muito mais ainda, como o Classe? Talvez alguma escola tenha coisas parecidas, mas nada chega sequer perto do que aquele colégio é.
Admiro tudo o que o Classe é, tudo o que já foi. A unidade da T-11 era pra mim como uma segunda casa, muitas vezes era como a primeira casa. Passei tardes e mais tardes por lá durante meu 1º ano, tardes com e sem coisas pra fazer, tardes que mesmo vazias são minhas lembranças preciosas. Eu e meus amigos tínhamos um canto da sala só pra nós, ainda estávamos todos juntos na mesma sala e tínhamos o caderninho vermelho que nos acompanhava em todos os lugares, o caderninho que guarda nossos pensamentos, que nos viu amadurecer. No segundo ano nos mudamos pra nova unidade e tudo tinha um jeito novo, um cheiro novo (lembrando que minha memória é olfativa). Já não estávamos todos na mesma sala e estávamos diferentes, um tanto quanto "crescidos", um tanto quanto mudados. O Classe estava crescendo e nós com ele.
Um certo professor disse que nossa época foi a melhor época do Classe, a época do meu 1º e 2º ano. Disse que nenhuma turma de antes e nem as que vieram depois foram tão boas. Eu posso dizer que nenhum colégio foi melhor que o Classe, nenhum antes. Posso dizer que nenhuma época foi tão marcante, posso dizer que nunca conheci pessoas tão únicas.
Agradeço aos professores que me proporcionaram esses anos maravilhosos, agradeço a todos, desde os mais amados aos mais odiados.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Dentre olhares, olhares, olhares. Olhares que te devoram, que te levam e te trazem, olhares que são mares, que são outros. Dentre todos os errados e todas as dores advindas dos errados e os erros cometidos no passado, encontrei o teu. E então foram olhares e olhares e olhares, mãos e mãos, braços nos abraços e lábios. Foram olhos cerrados e lábios unidos, tudo único e infindável. Beijos e abraços e doces palavras dos teus doces lábios, estávamos juntos. Não era mais uma só, era parte de uma dupla, um dueto, alguém pra cantar a vida comigo. Completos e sorrisos. Dois jovens que descobrem o amor, descobrem um dia-a-dia colorido de cores diferentes e o universo paralelo dos amantes. E então estão sendo olhares, mãos, abraços e lábios. Estão sendo nossas palavras, nosso dia-a-dia e o nosso amor, no nosso universo paralelo.

sábado, 17 de maio de 2008

Adeus você

Sentada da maneira mais confortável que achei, pedi que colocassem certa música e cantei junto. Estava cantando cada palavra com força, como se a força tirasse os resquícios do que um dia aquela canção me fez sentir, mas a anestesia do dia-a-dia estava presente. Cada palavra cantada me lembrava das palavras escritas, as sensações variadas, o passado-próximo. Finalmente um frio na barriga, algo pra sentir de verdade! Me empolguei mais, cantei mais alto e olhei para trás, lá estava ele, passando calmamente de um lado pro outro. Mal sabe que durante semanas cantei essas palavras pensando nele. O frio congelou, a sensação doeu e as palavras eram só parte da canção, não de mim.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

De leve

Tenho vivido de maneira leve, sem grandes emoções, sem grandes choques, sem grandes coisas. Tenho levado a vida um pouco desleixada, mas pretendo e vou mudar, e está tudo bem leve. Eu estava acostumada com finais de semana cheios de emoções, incluindo domingos que eu julgava chatos por serem tão quietos, eu queria sempre mais e não me importava se no dia ou no segundo seguinte me bateria uma tremenda ressaca, moral ou não. O retrato dessa vida leve que venho levando são meus domingos, domingos regados a músicas calmas e uma tranqüilidade que não me incomoda, ou meus finais de tarde em que pego minha câmera e tiro fotos do pôr-do-sol. Comparando minha vida a um filme, estou sendo atriz coadjuvante e a vida de atriz coadjuvante não cansa tanto quanto ser principal e tem me ensinado bastante.
Virei amiga-ouvidoria, daquelas que ouvem o que os amigos têm a dizer sobre suas vidas e tenta aconselhar. Meu lado emocional tem sido alimentado por séries de televisão e conflitos na vida amorosa de amigos e assim vou anotando no meu bloquinho mental o que devo ou não fazer quando voltar a ser protagonista. Aprendi a ficar mais calada e a pensar mais vezes antes de dizer o que quero quando estou nervosa, aprendi com a quase perda de uma amizade extremamente importante. Aprendi que não adianta ficar sentada reclamando de tudo, se eu quiser tenho que levantar e fazer acontecer, e foi assim que consegui deixar de lado coisas que me angustiavam há tempos. Tenho aprendido bastante.
Minhas manhãs são cheias de professores, matérias e a correria normal de 3º ano, já não há aquele lado da sala cheio de amigos meus com quem eu conversaria a aula toda. Sento próxima a duas meninas que não têm nada a ver com os meus amigos e sei que não criarei laços com elas, mas não estou a procura de novas amizades e por isso não me incomodo. Dentro da sala de aula tenho três amigos e alguns colegas com quem converso eventualmente, a grande maioria da sala não faz diferença alguma na minha vida e quando faz é porque está atrapalhando a aula e é aí que a "nova Laura" pede silêncio com um sshhh bem chato ou com um educado grito de CALA A BOCA!.
Às vezes acho que me perdi em algum espaço no tempo, mas lembro que continuo aqui e o que está longe ou ficou no passado ainda faz parte de mim. Sinto falta dos meus amigos de conversa em sala, admito. Sinto falta da desordem de emoções e fatos que costumava ser minha vida e de fazer parte das risadas de um grupo se misturando. Todas aquelas emoções fortes, todas aquelas reviravoltas, toda aquela vida. Mas enquanto o que tenho é essa calmaria estranha e singela que se tornou minha vida, estou bem, não tenho do que reclamar. Na verdade a única coisa que dói é a saudade, mas ela dói fina e constante, já nem incomoda.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Goiânia, 07 de abril de 2004.

Senhor Roger Plant,

Li, há algum tempo, uma matéria sobre a Globalização e o trabalho escravo, baseada em algo que o senhor disse e venho por meio desta carta opinar sobre o que li.
O senhor disse que a globalização contribui para o aumento do trabalho escravo e argumentou sobre o seu ponto de vista. Posso dizer que concordo com o que disse, concordo que a globalização facilita o aumento do trabalho escravo. Empresas fogem de países com leis trabalhistas mais rígidas e investem em países que não têm carga horária determinada e a mão-de-obra é mais barata. Países industrializados, mais desenvolvidos, dificultam o acontecimento de trabalho escravo.
Trabalho escravo é algo extremamente desumano, tão desumano quanto os testes que certas indústrias farmacêuticas realizam em países pobres, se aproveitam da falta de conhecimento e oferecem pouco dinheiro para transformar humanos em ratos de laboratório. A busca pelo trabalho leva as pessoas a aceitarem trabalhar sob condições terríveis.
Está crescendo um novo pensamento entre as empresas, o pensamento da consciência ambiental, mas acho que deveria crescer também a consciência humana. Preservar a natureza e valorizar o humano.
Espero que o senhor use do seu cargo de chefe do Programa Internacional de Combate ao Trabalho Escravo e tente mudar esta realidade. O senhor é como qualquer outro cidadão com consciência, só que com um poder a mais, espero que tenha ciência disto. Contamos com o seu empenho.

Atenciosamente,

sábado, 10 de maio de 2008

Quinze Minutos

Sabe aquelas comédias românticas que você fica uma hora e meia vendo a mocinha correr atrás do cara errado e fica xingando ela porque é óbvio que na verdade ela tinha que estar com o cara bonzinho? Não adianta, é essa a fórmula das comédias românticas água-com-açúcar, feitas pra você julgar pela capa e ver em um dia de fossa (de preferência comendo brigadeiro).
Se eu fosse o mocinho, melhor amigo do homem mau que está traindo a mulher que eu amo e mesmo assim ela continuasse me vendo como um amigo e ele como o homem da vida dela, eu continuaria ao lado dela até o final do filme e só resolveria desistir de tudo e aceitar um trabalho do outro lado do mundo nos quinze minutos finais? Todo mocinho é meio bobo e todo apaixonado é bobo também, então sim. Mas como não sou "mocinho" e não estou apaixonada, não esperaria.
Nada de falso romantismo aqui! A mulher é sua amiga desde sempre, se casa com o amigo canalha, você continua nutrindo um amor em segredo durante anos, ela procura por sua ajuda quando percebe que o casamento está esfriando (e, como todo bom mocinho de filme água-com-açúcar, nem passa por sua cabeça fazer dar errado) e quando ela se separa diz que "somos só amigos". Você esperaria até os quinze minutos finais por ela? Se sim, haja força de vontade hein.
Quando eu estivesse dentro do trem e ela corresse pela plataforma e dissesse que me ama eu pegaria uma plaquinha com os seguintes dizeres: "Perdeu, playboy!".

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Abrigo

Errei em tentar virar a esquina sem olhar pra trás. Não pude deixar de olhar, mesmo pensando no quanto poderia doer ver no teu olhar o adeus que eu tinha dito. Ao virar minha cabeça em sua direção vi a tristeza refletida em teus olhos, vi no escorrer da lágrima o tanto que pensou ter perdido ao me ver dizer adeus, mas não perdeu nada. Teve que agüentar minhas palavras duras por minutos, teus belos olhos castanhos me observavam em silêncio e procuravam algum resquício de humanidade no fundo dos meus, não encontrou. Durante os segundos que olhei em teus olhos de longe senti um pouco de sua dor, mas antes mesmo de poder sentir tua tristeza me virei e continuei correndo. Corri pro lado contrário, onde estaria a salvo da nossa história.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Menina-mulher, mulher de verdade

Para Jordana Albino Oliveira

Não sinta saudades de Amélia, Jordana que é mulher de verdade.
Sorriso à mostra, felicidade quase tocável, olhos meigos e espontaneidade. Não importa Amélia, Jordana sim é mulher de verdade. É mulher ainda menina, com um esplendoroso futuro pela frente. Tem inteligência e jeito com as palavras e um olhar mais doce que mel. Tem os sentimentos confusos de uma menina e a vontade de amar de uma mulher.
Disfarça de um jeito só seu, mas é mulher de verdade mesmo quase sem querer. Incógnita a ser decifrada, faz do seu mistério mágica e a todos cativa. Jordana é mulher de verdade, com seu sorriso e jeito marcantes. É diferente e bela, inigualável menina-mulher.

domingo, 4 de maio de 2008

Aleatoriedades

Parte 1) Memória Seletiva?
Qual é a graça de ter uma memória que guarda cada mínimo detalhe de todos os momentos se só você vai lembrar de tudo? Sempre passa pela minha cabeça alguma lembrança e eu tenho vontade de perguntar pra alguém "Você se lembra disso?", mas depois de várias vezes perguntar e ouvir negativas como resposta eu quase não pergunto mais (não freqüentemente). Respondendo à minha pergunta, vejo certa graça em me lembrar dos detalhes. Escrevo sobre coisas reais e as pessoa envolvidas na história podem até ler mas não vão saber que a história toda aconteceu com elas, porque vai ter uma certa mágica que elas não perceberam enquanto viviam, a mágica dos detalhes. Às vezes sinto pena de pessoas que não conseguem ver nas nuvens toda a beleza que elas guardam, ou das que reclamam sempre do tempo ensolarado/chuvoso, ou das que só se lembram das coisas superficialmente. Claro, eu perdôo as que não estavam em seu estado sóbrio.
Se detalhes fossem só detalhes a vida seria compacta demais, seria quadrada e com linhas retas. O que seria de uma viagem de horas sem as curvas da estrada? Talvez então eu tenha descoberto meu superpoder.

Parte 2) Saturday Night: At Home
Ontem parecia estar tudo bem, mas tinha algo diferente. Eu e uma amiga estávamos aqui em casa, locamos dois filmes (Memórias de uma Gueixa e Mais Estranho que a Ficção), compramos pipoca e fomos fazer brigadeiro, tudo exatamente como sempre é. Mas faltava aquela proximidade, onde estava a proximidade? Estávamos juntas há horas e não aconteceu nenhum abraço, isso é extremamente fora do comum no meu círculo de amizades. Enfim, conversamos sobre escola (qual outro assunto duas terceiro anistas teriam? passamos por cima das conversas comuns de adolescente, não haviam meninos e nem fofocas, só escola), fizemos piadinhas químicas sobre o brigadeiro, discutimos a diferença entre vaporização/evaporação/ebulição, falamos sobre faculdade (compre já o seu terceiro anista, ele já vem das lojas estressado e com uma frase decorada: "Oi, vai prestar pra quê?") e eu continuava mexendo o brigadeiro na panela e pensando em como as coisas mudam do segundo ano para o terceiro.
Fomos ver o filme na sala, escolhemos Mais Estranho que a Ficção. A panela de brigadeiro entre nós duas, o balde de pipoca em cima de um banco, junto com os nossos copos de Coca Zero (menos calorias pra se preocupar). O filme já estava acabando e tudo estava normal, muito normal, normal demais pra ser nós duas.
Mal sabia que ao tentar explicar pra ela uma teoria minha sobre estar no terceiro ano e a falta de tempo pra nos divertir iria nos fazer ficar sem fala, de tanto rir. Pronto, estávamos que nem deveria ter sido desde que chegamos em casa. Minhas teorias sempre são furadas, mas não era disso que ríamos, estávamos rindo de uma falha de comunicação. Como sempre a falha de comunicação chegou a tempo de salvar o dia e nos fez chorar de tanto rir.
E aqui quem fala é uma pessoa que quer passar no vestibular pra Comunicação Social, hein? Deus tenha piedade dos meios de comunicação com Laura por perto, amém.

domingo, 27 de abril de 2008

Entre Laço

As caixas de papelão estavam espalhadas pela casa, a noite estava fria, ela estava vestida de moletom cinza, sentada no sofá, com um copo de leite na mão, assitindo à TV. Ela estava no lugar certo, mas havia deixado pra trás tantas coisas pela metade e outras tantas apenas planejadas. A noite fria era de sábado e o vestido estava em cima da cama, mas ela não queria sair mais uma vez pra se perder nas horas, nos líqüidos, nos fluidos, pra depois ter que se achar em um apartamento qualquer com a boca seca e a cabeça doendo. Tinha em uma mão o celular, na outra uma caneta e nas pernas, em cima de uma almofada, um papel. Estava diante do branco chamativo de um papel sem rabisco algum e esperava que suas idéias se organizassem. Colocou nas palavras toda a solidão de um apartamento cheio de caixas e o sentimento de impotência gerado por tudo que deixou pra trás. As palavras eram o único refúgio certo, eram sua proteção, sempre foram. "A vida foi feita pra ser vivida, pra ser dita, exposta, os sentimentos e pensamentos não deveriam ser transformados em segredo. A juventude é tola, se esconde por trás do medo de viver de verdade e só percebe tudo o que perdeu quando tudo o que sobrou foi o medo do tempo, do pouco tempo que têm pra fazer tudo o que queriam e não tinham coragem." O papel estava cheio de marcas acinzentadas do grafite do lápis e ela percebeu que sempre escreve o que quer ouvir, sempre ouve o que precisa, mas nunca faz o que deve. É fácil se sentar no sofá sábado à noite e ver TV, difícil é vencer o medo e sair pra encarar a vida. "Eu vivo de palavras. Penso, digo, escrevo. Acho tudo muito bonito, acho tudo muito propício, mas não sigo."

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Palavras Vomitadas

Se torna difícil dizer pra uma pessoa que ela está errada quando você não tem nem idéia de como irá reagir. Ninguém nunca teve coragem de apontar os defeitos e erros dessa pessoa, por que eu teria? Ainda mais eu, que fico tremendo e com ânsia de vômito por qualquer briguinha boba.
Não sou só eu que acho algumas atitudes erradas, na verdade acho que a maioria das pessoas à sua volta vêem e acham errado. Vêem e não riem. Vêem e se afastam. São as manias, as pequenas manias e hábitos, que machucam as pessoas.
Durante um tempo não percebi, só fui ver o que acontecia depois que alguém me falou e desde então carrego a consciência de que isso (e outras coisas) incomodam muita gente, mas ninguém sabe como dizer. Eu pensava "Ah, não é possível que tenha consciência do que faz", mas percebi que tem sim. Desde então penso "Se sabe, por que faz?" e não encontro resposta, não faz sentido machucar as pessoas que gostam de você de propósito, não faz sentido repetir e repetir e repetir.
Talvez agora eu entenda um pouco o que os outros faziam, da maneira como só falavam sobre isso em semi-códigos, da maneira como os comentários se espalhavam e ninguém dizia nada diretamente. Eu, sinceramente, não quero que aquilo tudo se repita. Queria achar o momento ideal e dizer olhando nos olhos dessa pessoa tudo o que já pensei e comentei sobre este assunto. O problema é como, quando e o medo da reação.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Sob tons alaranjados

A escova passava por seus cabelos brancos e a luz do sol os prateava. Era assim todo fim de tarde, mesmo antes dos fios brancos ou dos acinzentados, a janela pra rua era como uma moldura para os tons do pôr-do-sol refletidos sobre seu rosto. Clarice não usava relógio, nunca se importou muito com o passar do tempo, mas sempre repetia as palavras de Mário Quintana: "O tempo não pára, só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo". Todos sabiam da espera de Clarice, era a história contada aos visitantes da pequena cidade de Bela Vista, ela não se importava, nunca se importou.
O céu começava a se pintar de tons alaranjados quando a pequena Clarice se sentou na janela e viu um menino de cabelos cacheados entrando na casa do outro lado da rua, era Arturo. Ela havia ouvido sua mãe dizer que o neto de Dona Helena chegaria hoje da grande São Paulo para morar ali, ouviu também que ele tinha perdido os pais em um acidente de trabalho. "Sempre soube que aquelas máquinas engoliam as pessoas" pensava Clarice que via cada vez mais suas amigas se mudando pra São Paulo com os pais.
Arturo se sentava na janela todo pôr-do-sol como em um ritual, um ritual de espera pelos pais que nunca iriam voltar para buscá-lo. Clarice se sentava na janela de sua casa e ficava olhando a beleza triste do menino, até o sol desaparecer completamente e ver o moço da querosene acendendo as lamparinas da rua, "Clarinha, entra pra casa que o céu já tá pronto pra ir dormir" e ela obedecia às palavras do moço. Quando chegaram as férias já não existia Clarice sem Arturo nem Arturo sem Clarice, era como ver um romance com personagens em miniatura. Cada paralelepípedo das ruas daquela cidade conhecia os passos apressados dos pés deles, Clarice havia aprendido a gostar de ler com Arturo e Arturo havia aprendido a sorrir com Clarice. Eram dias na cachoeira, dias na biblioteca, dias na pracinha, dias correndo pela cidade. Mas os finais de tarde eram sempre iguais, Arturo e Clarice se sentavam nas janelas de suas casas e permaneciam ali até o sol sumir.
O tempo passava e os joelhos já não voltavam mais pra casa ralados. Clarice chegou na biblioteca chorando, disse que era por causa de seu pai, "Ele diz que não acha bom filha dele andando com rapazinho o dia todo, que eu não sou mais criança", Arturo a abraçou e ela sentiu pela primeira vez as borboletas no estômago. Foi então que Clarice se encantou pelo nome poético de seu amigo de infância e em cada livro que lia a mocinha era ela e o mocinho era ele. O Baile de Primavera da escola estava chegando e Arturo convidou Clarice para ser seu par. Na noite do Baile, Arturo foi buscá-la em casa e seus olhos brilharam ao vê-la em um longo vestido de cetim azul. Dançaram, riram falando sobre seus colegas de escola e em todas as vezes que o silêncio surgia, a boca de ambos ficava seca e desviavam o olhar.
Estavam correndo e rindo baixo quando chegaram à porta da casa de Clarice. Ficaram em silêncio. Arturo pegou as mãos de Clarice, a olhou nos olhos e a beijou. Clarice entrou em casa e as borboletas em seu estômago pareciam ser impossíveis de controlar. Agora os finais de tarde na janela mostravam dois jovens e um segredo.
Clarice acordou assustada ouvindo gritos na rua, era a voz de Arturo. Dona Helena havia falecido e ele estava sendo levado de volta pra São Paulo para morar em um Orfanato. "Clarinha, eu vou voltar! Espera por mim" e em meio a lágrimas o carro levou Arturo e o coração de Clarice. O tempo passou e Clarice não foi de mais ninguém, ela pertencia às cartas que relia sempre e às histórias que escrevia. Todo final de tarde se sentava à janela e esperava, até o sol sumir.
A escova passava por seus cabelos brancos e a luz do sol os prateava. Era assim mesmo antes dos fios brancos ou dos acinzentados, a janela pra rua era como uma moldura para os tons do pôr-do-sol refletidos sobre seu rosto. Clarice olhava para a rua quando viu Arturo chegar. Ele não era o mesmo rapaz que havia ido embora, tinha em seu rosto marcas do tempo e seus cabelos cacheados agora eram brancos, mas era ele, era o herói das histórias dela. Clarice sentiu seu coração bater mais forte e as borboletas, ah! as adormecidas borboletas, haviam voltado. As ruas já não eram mais de paralelepípedo, não era preciso acender mais lamparinas todas as noites e a janela agora servia de moldura pra dois velhinhos que assistiam todo dia o pôr-do-sol juntos.

domingo, 20 de abril de 2008

Existem pessoas pra quem preciso dizer perdão, pessoas que já magoei ou que ainda magôo. Viver faz isso, não é? Passar por cima do orgulho e dizer que, sim, eu era a errada da história. Nunca fiz uma lista para me lembrar das pessoas que magoei, nunca anotei o nome delas linha após linha e fui riscando ao cumprir meu dever de me desculpar, até mesmo porque imagino que esta lista seja imensa. Mesmo com apenas 16 anos de vida. Imagino que eu tenha magoado muito mais pessoas do que as que me lembro do nome agora, até porque por trás de alguns pequenos atos de pessoas à minha volta eu já me magôo, mesmo sem que elas percebam. Se isso acontece comigo, que dirá às pobres almas que têm a má sorte de estarem perto de mim quando estou naqueles dias em que sei fazer apenas duas coisas: chorar e xingar. E esse mau humor não acontece uma vez por mês como acontece com (quase) toda mulher, pode durar um mês inteiro ou então ficar meses sem aparecer. Queria dizer que agora, com humor e batimentos cardíacos estáveis, eu me arrependo pelos gritos com quem tentava me ajudar, por ter passado um ano quase inteiro dizendo mais palavrões do que distribuindo abraços (minha nova técnica e vício). Acho que essas pessoas que dizem não se arrepender de nada na verdade ainda não aprenderam que não vale a pena manter o orgulho, ainda não aprenderam com seus erros. Fui muito grossa com pessoas com quem realmente me importo e agradeço muito aos que insistiram em ficar junto de mim, mesmo sabendo do risco de eu querer descontar a minha raiva gratuita neles.
Penso que essa fase mulher-bomba (pronta pra estourar a qualquer momento) minha, de muitas reviravoltas emocionais, de humor tão instável quanto se pode imaginar, passou. Muito obrigada, hormônios, por terem finalmente começado a se acalmar. Mesmo que minha serotonina ainda não saiba muito bem o significado de estabilidade, eu agradeço.
Crescer dói, mas é inevitável. E não é só por ser inevitável que me acostumei à idéia, é porque eu sei que nunca vou ser daquelas adultas típicas. Sempre vou ter uns pensamentos meio sem noção me acompanhando pra me lembrar que, mesmo crescendo, eu sou a Laura. Sou a guria de cabelos enrolados que olhava pra cima e via no seu pai um super-herói de verdade, sou a pré-adolescente de cabelos volumosos vermelhos, sou a adolescente que via em cada menino uma oportunidade e sou a, ainda adolescente, que tenta aprender com os vários erros e acertos que já cometeu. O bom mesmo é olhar pra frente e ver um caminho imenso esperando por mim.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Shiver

Não me peça para desviar o olhar quando o que mais quero é ver meu reflexo no castanho de teus olhos, não adianta querer me tirar daqui agora. Estou no alto e o vento bate nas minhas costas, sinto meus pés se desprenderem do chão e flutuo. Queria algo para esquentar esse frio constante dentro de mim, um café, um conhaque. Danço com o tempo, passando todos os ritmos dentro de mim. Só risos. Passei dias viajando por ruas sem nome, conversando com estranhos, até encontrar. A neve dentro do meu peito se desfez e as cores e flores tomaram conta, fizeram do meu rosto o altar pra um sorriso que é teu. Olhos nos olhos e me perco na infinitude conjunta.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

I just don't know what to do

Sabe quando você não agüenta mais? Pois é, cá estou sem paciência pra continuar sendo eu. Uma semana de entrega de provas com notas horrendas, estou me surpreendendo com minha inesgotável capacidade de piorar. Tenho a impressão que já reclamei tanto de tudo que ninguém mais vai querer ouvir, então guardo. E você sabe como é, né? Tenho até medo de quando guardo, porque uma hora eu vou explodir e aí dá-lhe choro com riso e crises de grito e grunhidos. Passei do limite do subentendido, não agüento mais essa falta de objetividade. Passei do limite da preguiça, não agüento mais esse sono acumulado que nunca acaba. Passei do limite da saudade, estou anestesiada. Passei do limite da paciência, vá reclamar/gabar da tua vida pra outra pessoa. Passei do limite da inutilidade, se eu pelo menos estudasse um tanto plausível. Passei do limite de horas na internet, de palavras salvas no rascunho, de insegurança, de medo. Passei do limite. Mas uma coisa eu tenho que agradecer, ver a Júlia e a Marina ontem, me faltam palavras pra descrever como é bom estar com elas.

Donnie Darko e A Filosofia da Viagem no Tempo

Surpreendente. Donnie Darko foge completamente das expectativas normais para um filme hollywoodiano e é aí que conquista. Além de contar com bons atores e uma incrível trilha sonora recheada de grandes músicas dos anos 80. O filme é de 2001 mas, por não ter feito tanto sucesso nos EUA, não chegou a passar nos cinemas daqui.
Donnie Darko é um adolescente problemático, sonâmbulo, que toma remédios receitados pela psicóloga que o acompanha. Em uma noite Donnie é acordado por Frank, um coelho gigante, e escapa da morte. Uma turbina de avião cai exatamente no quarto dele durante sua ausência e o coelho diz que o mundo irá acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos, exatamente no dia 30 de Outubro de 1988 (ano em que o filme se passa), Halloween. É então que começa toda uma história que parece não se encaixar direito e só ao fim podemos entender (e nem assim completamente) o que estava acontecendo.
Ao longo do filme Donnie obedece ordens de Frank, se interessa por certas realidades metafísicas, começa a pesquisar sobre viagem no tempo (descobrindo o livro "A Filosofia da Viagem no Tempo" escrito por Roberta Sparrow, a Vovó-Morte que aparece sempre checando a caixa de correspondência) e conhece Gretchen, sua futura namorada. Cada pequeno detalhe parece se unir e construir uma lógica que só será semi-desvendada no final, sendo que este não age como explicação, é mais um elo entre o começo e o desenvolvimento do filme. O que nos leva a usar nossos próprios neurônios pra juntar as informações cedidas durante a história e procurar mais informações.
Existe também a possível ligação entre o coelho gigante de Donnie e o apressado coelho de Alice no País das Maravilhas. Frank aparece para Donnie enquanto ele dorme e pede para ele o seguir, o coelho de Alice também aparece enquanto ela dorme, ela o segue e cai em um buraco feito por ele que a leva para um outro mundo, já Donnie escapa da morte ao conhecer Frank e começa a viver em um universo (realidade) tangente. Além de Donnie sempre aparecer conversando com Frank através do espelho de seu banheiro, o que lembra Alice Através Do Espelho.
Donnie Darko é um filme muito bem montado e deveria estar na lista de "Filmes Para Ver Antes de Morrer" de todos. Apesar de muitos reclamarem do final pouco esclarecedor, faz bem ver filmes que mostrem mais do que corpos e nos faça pensar.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Português Morto-vivo

Passei da época de "mIRC" e "Flogão" e com esta fase foi o "miguxês" e surgiu a paixão pela Língua Portuguesa. Sim, uma adolescente apaixonada pelo bom e velho Português.
Sempre achei que o problema acontecesse só com adolescentes, que só eles não percebessem o valor de nossa Língua. Sou a chata da turma, que sempre corrige os "erros".
A grande desvalorização por parte dos adolescentes tem grande influência da Internet, porque para responder às coisas mais rápido, saem abreviando as palavras e tudo parece um novo dialeto, que até tem nome, "Internetês". Não escrever corretamente na Internet é compreensível, mas existem os que usam deste dialeto em redações ou até esquecem como seria a forma "certa" e passam a usar abreviações em seu lugar.
Em uma bela tarde, fui checar meus emails e ao ligar o computador vi o Orkut da minha mãe aberto e, meu deus, quantos erros! Não só as abreviações, mas também erros de concordância, falta de acentuação e excesso de pontuação (se a quantidade de exclamações fosse proporcional ao entusiasmo, ela seria uma das pessoas mais efusivas do mundo).
Foi como um sinal pra mim, o Internetês está se alastrando como uma doença contagiosa! Cuidado senão o próximo pode ser... vc?

sábado, 12 de abril de 2008

Entrevista

Repórter Imaginário: Qual seu nome inteiro?
Laura: Laura Rodrigues Machado

RI: O que você acha que seu nome diz sobre você?
L: Meu nome representa a parte mais superficial de mim, a que todos podem conhecer com facilidade, mas também acho que o nome "Laura" combina comigo e pode dizer um pouco sobre a pessoa por trás do nome. Os sobrenomes dizem o que todo sobrenome diz, que sou parte da minha mãe e parte do meu pai.

RI: Hm... Então vamos conhecer um pouco a Laura por trás do nome. Escolha um grande defeito e uma grande qualidade tua e fale um pouco sobre isso.
L: Meu grande defeito é sempre reclamar, não tem muito o que falar sobre isso, é simples: estou sempre reclamando de alguma coisa. Sou daquelas que sempre diz "ah, mas o problema é que...". Acho que minha grande qualidade é ser amiga, sei que pode parecer uma resposta clichê, que qualquer atriz loira responderia o mesmo, mas penso ser mesmo uma boa amiga quando gosto da pessoa. Às vezes isso deve se tornar chato, porque acabo correndo atrás demais.

RI: Tem alguma meta que queira atingir em pouco tempo? E para os próximos anos?
L: Minha grande meta é passar pra Jornalismo na UnB ano que vem e me mudar pra Brasília, se tornou meu grande sonho. Para os próximos anos penso em cursar Jornalismo e me mudar pro Canadá. Ou então arrumar um marido rico pra me sustentar, quem sabe.

RI: E o que você gosta de fazer?
L: Gosto de sair com meus amigos, não importa muito pra onde. Gosto muito de ver filme, ler, ouvir música, conhecer artistas/bandas novas, abraçar, dormir, conversar... Até estudar eu gosto às vezes.

RI: Está lendo algum livro ultimamente? Qual foi o último filme que você viu?
L: Estou lendo O Leopardo É Um Animal Delicado, livro de contos da Marina Colasanti que cai no vestibular da UFG esse ano. O último filme que vi foi Donnie Darko e gostei muito, acho que há muito tempo não gostava tanto de um filme.

RI: Você tem alguma religião ou crença?
L: Religião não, acho que nem crença. Sou adepta do não-seísmo, não sei se acredito em muitas coisas. Tenho muitos amigos agnósticos e acho o Agnosticismo interessante, mas por ser do contra não me considero uma deles. Olho sempre o horóscopo, não acredito muito, mas é como um vício.

RI: Como se imagina daqui cinco anos?
L: Formada, morando no Canadá e trabalhando como Jornalista em algum jornal. Namorando.

RI: Agora as "rapidinhas". Noite ou dia?
L: Noite

RI: Calor ou frio?
L: Frio

RI: Uma cantora, cantor ou banda
L: Amy Winehouse

RI: Uma música
L: Invincible do Muse

RI: Um dia da semana
L: Domingo

RI: Uma estação do ano
L: Se aqui fossem bem definidas, outono

RI: Um filme
L: Elizabethtown

RI: Uma palavra
L: Sonho

RI: Uma frase
L: "Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca."

RI: Obrigada por esta entrevista, gostei muito de conhecer um pouco mais de você.
L: De nada, adoro falar sobre mim mesma. O prazer foi todo meu, acredite.